Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Paróquia dos Álamos, Funchal

Por vezes, temos próximo os familiares e não percebemos a importância disso.

Napolioni.png

 

«[Maria Chiara Gamba] — Desta experiência, o que vai levar dentro de si?

[D. ANTONIO NAPOLIONI] — É cedo pra me aperceber disso. Nos meses passados, pensava pra comigo que o bispo se deve identificar com as pessoas. Nas Marche (Marcas, na Itália central) lidava com o terremoto, em Cremona pensava em possíveis aluviões, não certamente numa pandemia viral. É a vida que nos pede pra partilhar a realidade. Não há tempo pra fazer demasiados raciocínios. Na realidade nunca é proibido amar e gastar-se ou até suportar apenas.

— Mudará algo no seu modo de ser bispo?

— O Senhor quer evidentemente que o meu serviço continue. Veremos como, à luz desta vivência. Mais que como bispo, deve mudar algo no olhar de todos pra ver a realidade. Amiúde, olhamo-la como espetadores. Este ser obrigado a estar em casa, a prestar atenção às ações mais elementares, a parar uma vida frenética, a olhar-se nos olhos faz bem a todos.

— O que sugere aos padres nesta emergência?

— Todos os padres estão a fazer bem aquilo que é possível: permanecer à disposição das pessoas, sobretudo as mais sós. Depois há a tecnologia, que é um canal pra chegar às pessoas com a Palavra de Deus. É preciso reinventar a própria jornada. Não é necessariamente um mal. É uma Quaresma absurda mas, em certa perspetiva, perfeita. Jesus está no deserto durante quarenta dias, luta com o diabo. A Quaresma não é a beleza dos ritos, mas é o mistério profundo do mal, da morte e do desespero que aqui estão; mas também do Senhor, que aqui está. É preciso reconhecer a Sua presença.

— Come se consegue reconhecer esta presença perante pessoas que morrem sós, sem familiares numa cama de hospital?

— Até hoje vivemos, durante anos, uma situação privilegiada. Os nossos pais e avós passaram pela guerra, passaram por uma epopeia de violência e de santidade. Não estávamos habituados, mas podemos reagir. Certamente desconcerta; contudo, a realidade espiritual é de tal modo encarnada que Cristo estava ali, muito mais que os familiares. Por vezes, temos próximo os familiares e não percebemos a importância disso. Deixemos que o Senhor console todos».

 

Traduzi de avvenire.it.

(Recordemos: «Coronavírus. O bispo Napolioni, curado, conta a sua experiência no hospital

Maria Chiara Gamba, Cremona, quarta-feira, 18 de março de 2020

O pastor de Cremona: “Encontrei grande humanidade e competência. Todos os padres estão a fazer bem aquilo que é possível; permanecer à disposição das pessoas, sobretudo as mais sós”.

Bispo de Cremona, D. Antonio Napolioni

A voz está ainda cansada, nas suas palavras lê-se a fadiga de quem, pouco a pouco, se reergue. Mas a força anímica e o espírito do homem de fé prevalece. D. Antonio Napolioni, bispo de Cremona, afetado pela Covid–19, regressou, após 10 dias hospitalizado, ao paço episcopal, onde continuará em quarentena. Tinha-se recuperado no Ospedale Maggiore di Cremona, sexta-feira, 7 de março, revelando sintomas de uma pneumonia compatível com o coronavírus. Poucos dias depois, tinha chegado a confirmação mas as terapias já tinham começado pra combater esta praga, que aflige também a sua cidade. Segunda-feira, Napolioni regressou a casa, seguido pelo afeto da sua diocese, e ontem [17 de maio de 2020], por meio das redes sociais, publicou também uma mensagem, em que sublinha que “a Páscoa restaurará a esperança e nos porá, juntos, a caminho”.)

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub